
Que Pâmela Rossini é uma artista completa, isso não é novidade. Com uma carreira marcada por sucessos como A Família Addams, Beetlejuice, Hairspray e Shrek, seu talento já está mais do que comprovado. Mas é no palco, diante do público, que sua capacidade de se transformar e dar identidade às personagens se revela de maneira mais potente.
Uma artista é, antes de tudo, uma ouvinte, e Pâmela Rossini entende isso muito bem. Ao assumir personagens tão diferentes entre si, ela parece primeiro escutá-las para, então, encontrar suas particularidades. O resultado são interpretações que não se limitam somente à técnica: há sempre uma personalidade própria, construída a partir de escolhas precisas de voz, corpo e presença cênica.
Pâmela atualmente está em cartaz em Wicked, no Rio de Janeiro. Ela também integrou o elenco da produção em 2023. No dia 27 de agosto, durante a temporada carioca, estreou como Glinda, o que foi comemorado não só por ela, mas também pelo público. Desde sua entrada em cena, dentro de uma bolha, Pâmela domina o palco e conquista a plateia. Quando deixa a cena, da mesma forma, mantém esse vínculo até o último instante.
O que chama a atenção, porém, não é apenas sua técnica vocal. Pâmela tem um carisma que atravessa a personagem e estabelece uma conexão imediata com a plateia. É um magnetismo difícil de explicar, mas fácil de perceber: basta sua entrada em cena para que os olhos se voltem para ela. Seu domínio da comédia é evidente nos trejeitos, nas pausas, nas piadas, nas reações e nas referências à própria trajetória, incorporadas de maneira orgânica, que aproximam atriz e plateia sem tirar Glinda do centro da narrativa.
Talvez seja justamente esse carisma que permita a Pâmela transitar com tanta naturalidade entre a comédia e o drama. A trajetória de Glinda é repleta de altos e baixos: nos primeiros momentos, leve, ela faz a plateia rir; quando a personagem enfrenta seus conflitos, sua presença ganha outra dimensão. Pâmela acompanha essa transição com segurança, envolvendo o público também nos momentos mais difíceis da personagem.
Pâmela Rossini é uma artista em sua essência. A junção de sua técnica, seu carisma e aquilo que existe de genuíno em sua presença cênica resulta no tipo de experiência que todo público almeja e merece assistir. A primeira fala de Glinda em Wicked é: “É bom me ver, não é?”. E, quando se trata de Pâmela Rossini, a resposta é sempre “sim”.


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